Gestando e gerindo a vulnerabilidade de mulheres em situação de rua: articulações entre gênero, trajetória de rua, drogas e maternidades

A retirada compulsória de bebês de mulheres em situação de rua é uma discussão que tem se aprofundado no Brasil e gradativamente sido conectada a outras questões, como pobreza, uso de álcool e outras drogas, sofrimento mental, gênero, raça e violência de Estado. A partir de estudo realizado em Belo...

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Bibliographic Details
Main Author: Alves, Ariana Oliveira (author)
Other Authors: Rui, Taniele (author)
Format: article
Language:Portuguese
Published: 2022
Subjects:
Online Access:https://hdl.handle.net/20.500.12008/51997
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Description
Summary:A retirada compulsória de bebês de mulheres em situação de rua é uma discussão que tem se aprofundado no Brasil e gradativamente sido conectada a outras questões, como pobreza, uso de álcool e outras drogas, sofrimento mental, gênero, raça e violência de Estado. A partir de estudo realizado em Belo Horizonte (Minas Gerais), pretendemos mostrar como as categorias “vulnerabilidade” e “risco” passam a ocupar centralidade nos processos de administração e proteção da infância e das famílias, sinalizando uma transformação moral da discussão que não necessariamente garante direitos de mulheres em situação de rua. Ancoradas nos estudos de gênero e suas interseccionalidades e na antropologia das práticas estatais de administração, serão analisadas, de um lado, as formas de produzir, gerir e/ou neutralizar julgamentos morais, bem como de construir a figura de uma pessoa destituinte de direitos. E de outro, serão exploradas as modalidades de gestão que têm se realizado por mecanismos de regulação e responsabilização singularizada na figura materna. Vale destacar que tais dimensões são engendradas através dos embates em instâncias estatais, tais como Vara da Infância e Juventude, Defensoria Pública, serviços do Sistema Único de Saúde e do Sistema Único de Assistência Social. Nesse sentido, o artigo enfoca a situação de rua, mas a apreende a partir de uma perspectiva política bastante ampliada, na medida em que investiga os atores públicos que gerem e normatizam a “vulnerabilidade” de mulheres nas ruas.